João Céu e Silva: “Posso montar uma história a partir de uma primeira frase inicial e caminhar por trezentas páginas ao sabor da invenção”

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Adeus, Casablanca»?
R- É, entre os romances que já escrevi, um dos que melhor utiliza a ficção e a História – na minha opinião. Na minha cabeça andou sempre a separação das personagens de Ingrid Bergman e Humphrey Bogart no filme Casablanca e um dia lembrei-me que o destino do avião que levava a atriz era em direção a Lisboa e que em 1961, um grupo de portugueses tinha desviado um aparelho da TAP que fazia a mesma rota. Era a ligação para dar início a uma narrativa que poderia fazer recordar episódios da nossa História, que não devem ser esquecidos. Ou seja, representa essa recuperação da vida nacional, recontada de forma a interessar os leitores.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Mais do que qualquer outro, o género literário que prefiro é o da ficção. Porque posso montar uma história a partir de uma primeira frase inicial e caminhar por trezentas páginas ao sabor da invenção. Adeus, Casablanca é o perfeito retrato dessa situação, pois nasceu assim. Claro que é preciso em seguida estruturar o que se quer escrever, utilizando quase sempre um episódio da nossa História para dar mais verosimilhança e não ser apenas uma narrativa desligada da realidade. O filme Casablanca, não sendo lateral, permitia regressar ao passado e a acontecimentos que são, eles próprios, matéria-prima para grandes livros.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Neste momento, estou a terminar a escrita de um volume de não-ficção, uma série que costumo publicar desde há vários anos e que faz o retrato de uma personalidade importante da nossa cultura através de dezenas de entrevistas. Já foram publicados sete, desde Uma Longa Viagem com José Saramago, com António Lobo Antunes e Vasco Pulido Valente, entre outros.
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João Céu e Silva
Adeus, Casablanca
Guerra e Paz  16,20€

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