Raquel Nobre Guerra: “Estamos sempre a escrever o mesmo livro”

1-O que representa no contexto da sua obra literária o livro “Postes de Luz para Cães Vadios”?
R-Julgo que estamos sempre a escrever o mesmo livro, com diferentes estados de coisas, disposições e modos. Neste último, talvez se ache mais explícita a força de abrigo, o combate e resistência que toma corpo contra o embargo do humano às mãos do próprio humano. Talvez possamos então dizer que este é o meu trabalho mais directamente político, mas discretamente político, porque na política fica-se como que perante um vazio.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R-Um livro é um acesso, uma instrução sobre um plano de fuga que obriga a definir situações. E a situação que persigo é sempre a mesma: a da finitude. E a assistência mútua entre a transparência da finitude e a opacidade da consciência. No circuito entre estes dois pontos, há um shuttle que faz ligações e paragens, descobertas e erros de plano, leva e traz passageiros em todas as modalidades: zangados, enamorados, alumbrados, inanimados, fantasmagóricos. Por vezes falta a luz e redescobrem-se como bichos vulneráveis e simples, mas demasiadamente legíveis.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-No momento estou a deixar-me embeber por uma ideia
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Raquel Nobre Guerra
Postes de Luz para Cães vadios
Tinta-Da-China  14,90€

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Escritores falam sobre José Saramago
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25 de Abril em forma de livro
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