1- “O Longe e a Miragem” é o seu romance de estreia: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R-Não sinto um apego especial por este livro por ser o meu primeiro romance, não mais do que pelos vários livros que já traduzi, que também são “meus”. A verdade é que quando termino um já só penso no próximo. Por isso, daqui a 20 anos, se ainda por cá andar, provavelmente vou lembrar-me muito mal dele. Será só mais um.
2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-A ideia que serviu de ponto de partida foi a violência generalizada que infecta o sistema de ensino: a violência dos alunos entre si, dos alunos para com os professores e, por outro lado, a violência mais insidiosa do “Sistema” que esmaga os professores com obrigações estapafúrdias e horários desumanos. Quis retratar um professor cansado, disto tudo e de tudo o resto, da própria vida, feita de pequenas e grandes violências. Um dia resolve virar tudo ao contrário e responder ele próprio com o acto de violência mais acabado, que é um suicídio público, espalhafatoso, pornográfico, bem ao gosto do público alienado que não dá um passo sem ver um TikTok primeiro.
3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-A minha tese de doutoramento, sobre literatura tradicional e oral. Estou a estudar o teatro feito em Portugal nos séculos XVI e XVII e o modo como os dramaturgos dinamizavam as suas peças recorrendo a romances (baladas) que se cantavam desde a Idade Média. Espero terminar o texto daqui a um ano; depois, ficará disponível para quem o quiser ler no repositório da FCSH-UNL. De acesso livre, como deve ser todo o trabalho académico.
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Ricardo Mangerona
O Longe e a Miragem
Minotauro 15,90€
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